O primeiro encontro
Eu caminhava. Era um dia estranho. Tínhamos resolvido nossa
história sim, mas continuava sendo um dia estranho. Talvez por que eu não
gostasse da resposta que obtive, ainda que não tivesse nenhum contra argumento
melhor pra usar. Depois de longas semanas uma resposta é melhor que nada.
Eu caminhava. Com a cabeça meio confusa eu caminhava.
Caminhar, meu recanto, minha fortaleza, meu lugar. Melhor do que qualquer cama,
abraço, álcool, caminhar sempre me
ajudou a me organizar.
Eu caminhava. E então eis que nossos olhares se cruzaram.
Ele parado eu caminhando. Não o reconheci de imediato. Talvez a confusão do dia
tenha deixado minha mente lenta. Quando associei tudo parei. Saquei o celular.
Não gosto de mentir então fiz uma ligação para ter uma desculpa pra sentar no
banco que convenientemente eu acabara de reparar. Ele andando eu parado.
Estranho, achei que ele estivesse esperando o ônibus. Não atenderam minha
ligação. Melhor assim. Levantei-me, atravessei a rua. Ele andando eu andando. Separados, próximos e separados de novos.
Outra troca de olhares. O meu ônibus. Tentei dar-lhe um tchau, mas ele já não
olhava mais.
Eu caminhava. No meu íntimo uma vontade de rir, uma vontade
que só eu irei entender...
O segundo encontro
Deixa acontecer
naturalmente ... Já cantou um grupo de pagode do qual eu não me lembro. Foi
o combinado. A parametrização de curvas havia me tomado toda a tarde. O frio
fez com que a fome chegasse mais cedo.
Um conto muito bem escrito me segurou um pouco. Por fim o cansaço se
juntou a fome, eu deixei meu claustro rumo ao restaurante. E ela também.
Iamos jantar juntos, naturalmente como a música sugeriu. Naturalmente uma amiga
foi acrescida ao grupo. Na porta do restaurante aprendi que devo manter sempre
meus documentos no mesmo lugar, pois se os mudo não me lembre que o fiz. Na
falta deles voltei ao claustro buscar o
que me faltava e deixamos um reencontro em aberto. No caminho encontro um grupo
de bons amigos indo ao restaurante. No caminho de volta encontro outro grupo de
bons amigos. Quando finalmente estava pronto para me sentar, havia um grupo de
bons amigos em uma mesa. Um grupo de bons amigos em outra mesa. E ela em uma
terceira mesa. É claro que havia mais algumas dezenas de mesas mas elas não me
importavam. Eu tinha de certo modo três compromissos marcados pra mesma
hora.
Escolhi o primeiro encontro. Mas a disponibilidade de
pessoas me deu idéias e eu o abandonei.
As idéias falharam. Quando resolvi mudar de idéia novamente era tarde de mais.
No meu íntimo, uma vontade de não sei o que, uma vontade que
nem eu nem ela e nem ninguém vai entender...
O terceiro encontro
Era cedo. O sol não raiara ainda. Caminhava. Dessa vez não para pensar nem para
me refugiar. Apenas por costume. Andei
até o sol raiar e andei mais um pouco ainda. Ao final da caminhada havia ainda
um ônibus . Lá estava ele. Palavras de baixíssimo calão atravessaram minha
mente. Por sorte ele não me viu. Teria sido constrangedor. Mais do que trocar palavras no primeiro encontro. Mais do
que se o segundo encontro fosse forçado.
Via ele conversar com alguém que não importa e sua voz me irritava.
Poucos pontos depois descemos juntos. Ele não me viu. Sorte. Mal presságio o encontro com ele. Fosse outra pessoa que não eu, teria sido
suficiente pra azedar um dia.
No meu intimo uma vontade de gritar, xingar, que qualquer um
iria entender.
A conclusão
Foi como o encontro dos três espíritos natalinos. Mas não
foi passado, nem presente, nem futuro que me visitaram.
O estranho que me fez rir e só eu entendi;
a próxima que me fez confuso e ninguém entendeu;
o distante que me fez raiva e todos entendem;
Diferente também do que acontece com os espíritos natalinos,os encontros não mudaran minha vida. Posso aprender muito com isso, mas ainda não me esforcei
pra que isso aconteça. Talvez no futuro seja minha histórias de encontros que
mudaram minha vida. Hoje foram apenas encontros...
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