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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Encontros


O primeiro encontro
Eu caminhava. Era um dia estranho. Tínhamos resolvido nossa história sim, mas continuava sendo um dia estranho. Talvez por que eu não gostasse da resposta que obtive, ainda que não tivesse nenhum contra argumento melhor pra usar. Depois de longas semanas uma resposta é melhor que nada.
Eu caminhava. Com a cabeça meio confusa eu caminhava. Caminhar, meu recanto, minha fortaleza, meu lugar. Melhor do que qualquer cama, abraço,  álcool, caminhar sempre me ajudou  a me organizar.
Eu caminhava. E então eis que nossos olhares se cruzaram. Ele parado eu caminhando. Não o reconheci de imediato. Talvez a confusão do dia tenha deixado minha mente lenta. Quando associei tudo parei. Saquei o celular. Não gosto de mentir então fiz uma ligação para ter uma desculpa pra sentar no banco que convenientemente eu acabara de reparar. Ele andando eu parado. Estranho, achei que ele estivesse esperando o ônibus. Não atenderam minha ligação. Melhor assim. Levantei-me, atravessei a rua. Ele andando eu andando.  Separados, próximos e separados de novos. Outra troca de olhares. O meu ônibus. Tentei dar-lhe um tchau, mas ele já não olhava mais.
Eu caminhava. No meu íntimo uma vontade de rir, uma vontade que só eu irei entender...

O segundo encontro
Deixa acontecer naturalmente ... Já cantou um grupo de pagode do qual eu não me lembro. Foi o combinado. A parametrização de curvas havia me tomado toda a tarde. O frio fez com que a fome chegasse mais cedo.  Um conto muito bem escrito me segurou um pouco. Por fim o cansaço se juntou a fome, eu deixei meu claustro rumo ao restaurante. E ela também. Iamos jantar juntos, naturalmente como a música sugeriu. Naturalmente uma amiga foi acrescida ao grupo. Na porta do restaurante aprendi que devo manter sempre meus documentos no mesmo lugar, pois se os mudo não me lembre que o fiz. Na falta deles voltei ao claustro  buscar o que me faltava e deixamos um reencontro em aberto. No caminho encontro um grupo de bons amigos indo ao restaurante. No caminho de volta encontro outro grupo de bons amigos. Quando finalmente estava pronto para me sentar, havia um grupo de bons amigos em uma mesa. Um grupo de bons amigos em outra mesa. E ela em uma terceira mesa. É claro que havia mais algumas dezenas de mesas mas elas não me importavam. Eu tinha de certo modo três compromissos marcados pra mesma hora. 
Escolhi o primeiro encontro. Mas a disponibilidade de pessoas me deu idéias e eu o abandonei.  As idéias falharam. Quando resolvi mudar de idéia novamente era tarde de mais.
No meu íntimo, uma vontade de não sei o que, uma vontade que nem eu nem ela e nem ninguém vai entender...


O terceiro encontro

Era cedo. O sol não raiara ainda.  Caminhava. Dessa vez não para pensar nem para me refugiar. Apenas por costume.  Andei até o sol raiar e andei mais um pouco ainda. Ao final da caminhada havia ainda um ônibus . Lá estava ele. Palavras de baixíssimo calão atravessaram minha mente. Por sorte ele não me viu. Teria sido constrangedor. Mais do que  trocar palavras no primeiro encontro. Mais do que se o segundo encontro fosse forçado.  Via ele conversar com alguém que não importa e sua voz me irritava. Poucos pontos depois descemos juntos. Ele não me viu. Sorte.  Mal presságio o encontro com ele.  Fosse outra pessoa que não eu, teria sido suficiente pra azedar um dia.
No meu intimo uma vontade de gritar, xingar, que qualquer um iria entender.

A conclusão
Foi como o encontro dos três espíritos natalinos. Mas não foi passado, nem presente, nem futuro que me visitaram.
O estranho que me fez rir e só eu entendi;
a próxima que me fez confuso e ninguém entendeu;
o distante que me fez raiva e todos entendem;

Diferente também do que acontece com os espíritos natalinos,os encontros não mudaran minha vida. Posso aprender muito com isso, mas ainda não me esforcei pra que isso aconteça. Talvez no futuro seja minha histórias de encontros que mudaram minha vida. Hoje foram apenas encontros...



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